A importância das coisas

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Have always wanted to be in a field of wild grass with no one for miles around.


Ás vezes dou por mim a pensar na importância que damos às coisas, e no quanto isso mudou com o passar de poucos anos. Noto a diferença sobretudo nos livros. São eles que me puxam para uma realidade diferente - mas que existiu. 

Dou muita importância às prendas de aniversário, ao dia da mãe e do pai, ao dia dos avós, ao dia de Natal, ao dia dos irmãos, ao dia dos namorados, e por aí fora. Embora não concorde que, apenas por estar marcada uma data ao acaso no calendário, tenhamos que ir a correr comprar canecas e almofadas com frases pirosas que nos custam os olhos da cara nas épocas ditas "especiais". O dia da mãe, do pai, do irmão, da avó, do namorado, da mulher e do homem deviam ser nos dias que bem entendêssemos, surpreendendo quem mais gostamos.

Bom, mas o que realmente queria dizer era que, há uns anos atrás, talvez até pouco depois do início dos anos 2000, a relação do ser humano com as coisas era diferente. Estimava-se tudo, e tudo era tido em consideração e guardado ou usado com carinho. As pessoas ficavam felizes com "pouco". Hoje parecemos uns hipócritas ingratos (sem ofensa) por não recebermos o último modelo iphone no Natal. 

Como disse, os livros relembram-me esse tempo de simplicidade para com as coisas do nosso dia-a-dia (e sim eu ainda vivi alguns anos nesse tempo, antes do início do século XXI). Em A Sombra do Vento, Daniel sempre quis uma caneta que vira numa montra e que o pai não tinha dinheiro suficiente para a comprar, acreditava que, com ela, teria toda a inspiração do mundo e escreveria grandes histórias, era tudo o que queria. No livro O Som das Coisas Que Começam, Ada presenteia a avó num dia de natal com um saquinho de rebuçados, porque a avó contou-lhe que nunca mais havia comido nenhuns desde há muito. Para além disso, ainda lhe ofereceu uma caixa de lápis de cor, uma vez que a avó nunca tinha tido uma em criança, e sempre sonhara em ter. No livro The Perks of Being a Wallflower, Charlie presenteia os amigos com cassetes criadas por ele com as músicas preferidas da pessoa em questão. 

Tudo isto para nos lembrar que, antes, toda a gente se conhecia e se escutavam uns aos outros. É surreal o quão diferente é hoje. Onde ficamos sem saber o que oferecer às pessoas de quem gostamos, e preferimos comprar tudo igual para todos, ou o que é tendência supondo que a pessoa deve segui-la, ou outra coisa qualquer só porque sim. Antes nada eram porque sim. Agora nem se pensa duas vezes na personalidade e caráter da pessoa para podermos descobrir facilmente do que ela gosta. É só escuta-la. E esse pequeno gesto, tornou-se quase nulo no mundo de hoje. 

Hoje damos demasiada importância às coisas materiais de uma maneira exagerada. Onde somos consumistas acima de tudo. Onde temos fartura acima de tudo. Onde um presente é só mais um e já não é tido em consideração como se fazia antes. Antes, um disco era uma relíquia e a melhor prenda que podia existir. Um livro era lido e relido e emprestado e estimado. Antes dávamos importância às coisas no sentido de apreciação e estimando-as. Não precisávamos de muito. Não deitávamos nada fora. Tudo durava, se necessário, eternamente. Ficávamos felizes com pouco. Hoje, com tanto, olhem no que o mundo se tornou. 

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  1. Infelizmente hoje em dia é muito complicado agradar alguém, principalmente se forem prendas, porque o mais caro para elas é sempre o melhor. Gostaria imenso de poder oferecer coisas com valor sentimental às pessoas e que elas gostassem das mesmas, sem darem o ar de " a sério que deste-me isso?! vai diretamente para o lixo", porque eu sei que vai mesmo para o lixo! Infelizmente é nisto que o mundo se tornou e muitas vezes queria voltar no tempo em que o pouco valia ouro. Ótima reflexão de facto! Beijinhos :D

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    1. Sinto saudades dos tempos em que se tinha em atenção aos detalhes. Uma prenda é sinal de que pensámos realmente em alguém com toda a atenção.
      Um beijinho!

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  2. É bem verdade damos imenso valor ao que realmente não importa, mas eu cá continuo a valorizar aqueles dias no bem bom junto daqueles de que mais gosto!!

    Novos posts: https://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/

    Beijinhos ♥

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  3. Amar... esse é o grande presente com prenda sem prenda todos os dias do ano em qualquer ano.

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    1. Basta agora que as pessoas o valorizem e o tomem como algo que lhes baste

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  4. Que post magnífico! Parece que estamos em sintonia, ainda hoje publiquei um post sobre as pequenas coisas que me fazem feliz eheh

    Um grande beijinho*
    https://www.healthyfoodandme.com/

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