Na estante: A Culpa é das Estrelas

terça-feira, 8 de maio de 2018


Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita. 


Escrevo assim que acabo de ler, quase com medo de que tudo o que este livro me proporcionou caia em esquecimento, como temia Augustus Waters

A ironia da vida. O humor (negro) acerca da vida e da morte. A consciência de que embora o mundo não tenha sido feito para os humanos, nós fomos feitos para o mundo. 

Uma reflexão do que nos é inevitável: a morte. A morte esfuma a cada página tratando-se apenas de recordar de que devemos viver a nossa melhor vida. Irónico, não acham? De como dois conceitos tão opostos possam andar assim, de mãos dadas. E não me interpretem mal, isto não se trata de uma tragédia tremenda de que quem quer chorar deve ler o livro. Não, não é deprimente, muito pelo contrário, é inspirador e faz-nos refletir na sorte que temos, no quão nos sentimos vivos e no que temos pela frente. E que, desculpem o comentário bastante frontal - apesar da doença das personagens principais, eles não deixam de ser iguais a nós - todos teremos o mesmo fim, a diferença é que dão uma realidade paralela de que, há probabilidades, de já não estarem neste mundo por muito mais tempo, e é isso que os faz ver o mundo de maneira diferente, e que os faz ficar atentos ao universo, já que o universo é um eterno carente de atenção. 

A vida faz-se de pequenas coisas, de pequenos gestos, de pequenos momentos, de grandes pessoas. E o facto de querermos morrer apenas e após termos concluído algo heroico, como se costuma dizer, talvez sejamos o mundo de alguém, e o que fazemos por alguém, ficará para sempre recordado. 

Uma coisa que nós dá a entender, simples e claramente: algumas infinidades são maiores que outras. 

Bom, para dizer a verdade, eu já tinha visto o filme, já o sabia de cor. E nunca foi costume ver o filme e depois ler o livro, achava que me estragava a curiosidade que me faz ficar faminta para ler mais um capítulo. Mas, como a vida já me provou que os filmes, na sua maioria, só nos estragam o mundo imaginário enquanto lemos, eu sabia muito bem que o livro estaria muito mais completo, e que me iria fazer sentir ainda mais. E assim foi. Nos dois últimos dias vivi a magia das páginas de A Culpa é das Estrelas

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