Na estante: Marley & Eu

segunda-feira, 21 de maio de 2018


Chamavam-se John e Jenny, eram jovens, apaixonados e estavam a começar a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava-se todo por cima das visitas, roubava roupa interior feminina e abocanhava tudo a que pudesse deitar o dente. De nada lhe valeram os tranquilizantes receitados pelo veterinário, nem, tão pouco, a "escola de boas maneiras", de onde, aliás, foi expulso. Só que Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional. Partilhou a alegria da primeira gravidez do casal e o seu desgosto com a morte prematura do feto, esteve sempre presente no nascimento dos bebés ou quando os gritos de uma vítima de esfaqueamento ecoaram pela noite dentro. Conseguiu ainda a "proeza" de encerrar uma praia pública e arranjou um papel numa longa-metragem, através do qual se fartou de "conquistar" corações humanos. A família Grogan aprendeu, na prática, que o amor se manifesta de muitas maneiras... e feitios.


Agora estou numa de reviver - e complementar - histórias que já vivi em filmes para agora folheá-las nas páginas de um livro, onde é tudo muito mais intenso. Toda a gente já sabe a história do pior cão do mundo aos olhos de Jonh Grogan, uma história de amor humano-canino incondicional.

Eu chorei - sim - e ri muito no filme baseado no livro. E bateu uma saudade de o reviver outra vez, desta vez de maneira mais intensa. Eis que este livro foi o único onde soltei gargalhadas sozinha na poltrona do sofá, e onde ao mesmo tempo chorei com o desfecho que já sabia como era.

Mesmo para quem não gosta de cães - ou de animais - vai ficar rendido e com um olhar diferente sobre um mundo que desconhece. Este livro é uma carta em que diz como um animal nos pode tocar a alma e ensinar algumas das lições mais importantes das nossas vidas.

"Marley ensinou-me a viver cada dia como uma exuberância e alegria ilimitadas, a aproveitar o momento e a seguir o coração. Ensinou-me a apreciar as coisas simples - como um passeio na floresta, um nevão fresco, uma sesta numa réstia de luz do sol numa tarde de inverno. (...)"

É verdade que os cães nos mostram a nós, humanos, as coisas que realmente importam na vida e que temos tendência a esquecer do que sempre soubemos. Lealdade. Coragem. Devoção. Simplicidade. Alegria. E também as coisas não importantes.

"Um cão não tem necessidade nenhuma de carros sofisticados ou de casas sumptuosas ou de roupas da moda. Os símbolos de status não lhe dizem nada. Um pau lambido pelo mar serve perfeitamente. Um cão não julga os outros pela cor da pele, credo religioso ou classe social, mas sim por o que elas têm dentro de si mesmas. (...)"

Dêem-lhe o vosso coração que ele dar-vos-á o seu. Os nossos cães são o que de mais puro existe, e verdadeiros gurus ao nos relembrar que na realidade tudo é bastante simples.

Sem dúvida, um dos livros que não devemos deixar de ler na nossa vida.



"É uma coisa simplesmente fabulosa, adorar um cão, não é? Faz com que as nossas relações com as pessoas pareçam insonsas como papas de aveia."
-O meu excerto preferido.

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  1. Tive uma filha canina que era um doce. Não falava quase a nossa língua porque enfim. Foram 6 anos com ela, aprendia rápido, falávamos qualquer coisa com ela e ela nos respondia (na sua língua, mas ainda assim respondia e ouvia calmamente), se chorávamos, ela chorava também, se cantávamos era a primeira a por se à escuta e mesmo de madrugada esperava sempre que viesse da filarmónica (apesar de odiar o meu instrumento ahah). Foi doloroso quando a vi imóvel, completamente sem vida. A cadela que mais vida tinha, que nunca parava quieta, que muitas vezes a chamávamos de hiperativa e que tantas vezes nos arrancou gargalhadas enormes, pelos seus disparates. Tenho imensas saudades dela. Sobretudo do que vivemos juntas. Se o tempo voltasse atrás...

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    1. Sempre ouvi dizer que são as almas mais bonitas que se vão embora mais depressa ♥ Um beijinho Carolina :)

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